Marca própria no varejo: a confiança que vai do produto ao cartão da loja
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Marca própria no varejo: a confiança que vai do produto ao cartão da loja

O consumidor brasileiro está mudando a forma como escolhe o que leva para casa. Se antes a marca do fabricante era quase sempre o critério decisivo, hoje cresce a disposição de comprar produtos que levam o nome (ou a assinatura) da própria loja. E essa mudança diz mais sobre confiança do que sobre preço.

Segundo a Abmapro (Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização), as marcas próprias superaram R$ 150 bilhões em faturamento no Brasil em 2025, com alta de 15,6% sobre o ano anterior. Para o varejista, o recado é claro: a marca da loja virou um ativo valioso. 

A pergunta é se essa estratégia está sendo usada em todo o seu potencial.

Farmácias: R$ 6,5 bilhões com a marca da rede

O varejo farmacêutico é um dos melhores exemplos dessa transformação. Dados apresentados no 2º Simpósio de Inteligência Competitiva – Marcas Próprias, em setembro de 2026, mostram que as marcas próprias já movimentam R$ 6,5 bilhões no segmento de saúde, com crescimento de 17,8% em relação ao ano anterior.

As grandes redes de farmácias puxam esse movimento. Uma das maiores do mercado brasileiro somou R$ 1,7 bilhão em vendas de marcas próprias em 12 meses até setembro de 2025, o equivalente a 9% da sua receita bruta.

Vale notar: estamos falando de vitaminas, dermocosméticos e itens de cuidado pessoal, produtos em que o consumidor só aposta quando confia em quem está vendendo.

Supermercados: crescimento quase quatro vezes maior

Nos supermercados, a tendência é ainda mais ampla. Levantamento da NielsenIQ divulgado em agosto de 2026 aponta que, no primeiro semestre do ano, as marcas próprias cresceram 11,9% em valor e 10,9% em volume, um ritmo 3,8 vezes superior ao dos demais produtos. Ainda segundo a NielsenIQ, 58% dos brasileiros pretendem ampliar as compras de marca própria, e 51% acreditam que a qualidade desses itens é igual ou superior à das marcas tradicionais.

Em uma grande rede multinacional de hipermercados, as marcas próprias já respondem por mais de 20% das vendas. O consumidor deixou de enxergar o produto da loja como “segunda opção” e passou a vê-lo como escolha inteligente.

Materiais de construção: a marca própria chega ao home center

O movimento também ganhou força no varejo de materiais de construção. Uma grande rede de lojas do segmento matcon, trabalha hoje com 15 marcas próprias em categorias como ferramentas, pisos, iluminação, jardim, banheiro e cozinha e já registra participação próxima de 40% em algumas delas. A meta da rede é que as marcas próprias representem 25% da receita até 2027.

Em um setor em que o cliente compra para durar, colocar a marca da loja em uma tinta, uma ferramenta ou um revestimento é um sinal claro de que a reputação do varejista se tornou um argumento de venda.

Quem confia no produto da loja confia no cartão da loja

Aqui está o ponto central: a confiança que leva o cliente a colocar um produto de marca própria no carrinho é exatamente a mesma que o leva a aceitar um cartão de crédito com a marca da loja. Se ele confia na qualidade do que você vende, tende a confiar também na forma como você oferece crédito.

O cartão private label (cartão de marca própria) é a extensão natural dessa relação. Ele coloca a marca da loja na carteira do cliente, estimula a recompra, aumenta a frequência de visitas e gera dados valiosos sobre hábitos de consumo. Cada vez que o cliente abre a carteira, ele é lembrado de onde comprar.

Além do cartão: um ecossistema financeiro com a marca da loja

O cartão private label é a porta de entrada, mas o lojista pode (e deve) ir além. Um portfólio financeiro completo transforma a loja em ponto de referência na vida do cliente:

  • CDC Digital: financiamento direto no ponto de venda, com aprovação ágil, para viabilizar compras de maior valor sem perder a venda.
  • Crédito pessoal: empréstimo em dinheiro oferecido ao cliente que já tem histórico com a loja. É uma nova fonte de receita para o varejista e mais um motivo para o cliente voltar.
  • Recebimento de contas: pagamento de água, luz e faturas direto pelo aplicativo da loja, utilizando o crédito disponibilizado pelo lojista para o cliente.
  • Venda de recargas e serviços digitais: recargas de celular, assinaturas de streaming, TV por assinatura e cartão-presente, gerando receita adicional sem estoque.

Cada um desses serviços reforça o mesmo princípio: quanto mais o cliente resolve na sua loja, mais forte fica a sua marca.

Marca própria precisa ser estratégia completa

Muitos varejistas ainda tratam a marca própria apenas como uma questão de prateleira: desenvolver produtos, negociar com fornecedores e definir preços. Porém, uma estratégia de marca própria madura contempla também as formas de pagamento e coloca a marca da loja no cartão, no crediário e nos serviços financeiros.

É natural que surja uma preocupação: oferecer crédito em um cenário de endividamento elevado não aumenta o risco? Aumenta, se a operação for feita sem tecnologia, sem análise criteriosa e sem acompanhamento da carteira. Com as ferramentas certas, o crédito próprio deixa de ser um risco e passa a ser uma fonte de rentabilidade e fidelização.

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Postado em: 08/10/2026

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